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Quarta-feira, 07 de Novembro, 2012

Há quanto tempo um filme não me deixava pregada do início ao fim.

 

Há quanto tempo não ficava maravilhada com quase todo o “conjunto”: o argumento, a fotografia, algumas das interpretações, a realização. Talvez melhorasse em termos de banda sonora.

 

Inspirado numa história verdadeira – e que história! – a acção de Argo desenrola-se entre 1979 e 1981, em plena guerra fria.

No tema central temos as alterações políticas no Irão, a tomada da embaixada norte-americana pelos estudantes / manifestantes iranianos (tendo feito perto de 60 reféns – o que ficou conhecido como “a crise dos reféns do Irão”) e o objectivo de resgatar seis diplomatas que estão escondidos (tendo conseguido escapar, com sucesso, da embaixada norte-americana antes que os estudantes iranianos os encontrassem).

 

Uma das primeiras cenas apresenta a data “4 de Novembro de 1979”. 33 anos e dois dias após tive o privilégio de assistir (reviver) todos os eventos - mesmo que de uma forma mais romanceada (não esquecer que se trata de adaptações da vida real e com o propósito de "entretenimento").

 

Gostei do facto de não tentarem escamotear, esconder, a (enorme) responsabilidade dos EUA em todos os factos. Logo no prólogo inicial, para que não restem dúvidas, é afirmado que tanto os norte-americanos como os ingleses depuseram Mohammed Mossadegh que tinha sido eleito democraticamente – sim, sim, provavelmente a “bem” da humanidade, nada a ver com estratégias de guerra fria, etc. e tal. Tanto foi que o Shah que os países ocidentais lá colocaram fez as maiores atrocidades durante trinta e muitos anos.

Para além da crítica a todo o sistema americano existe, também, uma enorme crítica a Hollywood o que, vindo de um norte-americano, não deixa de nos surpreender.

 

O suspense está muito bem orquestrado. Sem sombra de dúvida… um filme a não perder. Ben Affleck (não só interpreta o papel principal de agente da CIA como realizou o filme) fez-me lembrar os (idos) tempos do Bom Rebelde.

Pode ser que me engane, mas creio que Argo deve ser um dos oscarizados em Fevereiro próximo.

 

E – nunca pensei dizer isto – temos de agradecer ao Bill Clinton por ter trazido esta história a público.

 

«Argo fuck your self» (*)

 

(*) não, não pretendo ofender ninguém. Ide ver o filme que depois entenderão.

 

Argo - trailer

 

Notas: parece que tanto os Canadianos, como os Kiwis, como os Ingleses não gostaram muito da forma como são retratados no filme - não nos podemos esquecer que é um filme norte-americano - depois de verem o filme (não digam que eu não avisei) podem ler mais aqui e aqui.
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publicado por K às 13:09

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