Há dias excelentes, memoráveis. Há também os menos bons. Os marcantes. Os decisivos. Este espaço é, apenas, um conjunto de desabafos fruto dos dias que vou percorrendo e da minha (in)sanidade mental. E, tal como eu... tem dias!

Quinta-feira, 17 de Maio, 2012

Então correu bem. Infelizmente a assistência foi em número reduzido, a culpa não foi minha, juro!, foi uma constante durante todo o seminário - reflexos da crise e da troika, já se sabe (têm sempre costas largas, também é habitual). Foram poucos, mas bons, porque no final houve uma interessante conversa entre perguntas e respostas (comigo e com os outros oradores também).

 

Depois de tudo terminado, ainda fiquei com uma das pessoas pertencentes à organização, queria que lhe tirasse algumas dúvidas.

 

Agora, giro, giro, foi o que antecedeu a coisa...

Cheguei mais cedo do que a hora marcada - neste tipo de coisas, gosto de ter margem para algum contratempo (e ainda bem que sou previdente... porque foi isso mesmo que sucedeu) - deixo o carro no parque de estacionamento junto à universidade. Desloco-me, a pé, para o meu destino. Quando estou quase a chegar - são dois quarteirões e pouco - constato, com horror que o meu sapato estava descolado. Choque! Horror!

 

Um pequeno parêntesis neste ponto. Eu pertenço aquele grupo de pessoas que considera importante a (nossa) apresentação; que uma (boa) imagem também vende; etc. e tal. Selecciono com especial cuidado a "vestimenta" de acordo com as actividades previstas nesse dia (com detalhes que, a serem alguma vez estudados poderia levar o autor do estudo à loucura... só para terem uma ideia...). Como tal, no vestido que eu hoje seleccionei não ficava, de todo, nada bem os sapatos descolados (como se algum ficasse...). Meias suplentes eu tinha trazido... sapatos é que não. Ora bolas!

 

Posto isto, era absolutamente fundamental arranjar uma solução e o quanto antes. A minha folga de tempo estava a esgotar-se.

Tive uma ideia brilhante - ou não fosse minha - liguei a um amigo que mora ali a perguntar onde se localizava o sapateiro mais próximo. Prontamente me respondeu. Vai de me deslocar, com o sapato a abrir, de cada vez que eu dava uma passada, até ao local.

Chego (sim, estava aberto à hora do almoço) e começa a tratar-me da situação (por prevenção, cola-me também o outro sapato que já ameaçava fazer a mesma gracinha). Descubro que é um verdadeiro filósofo. Tem teorias sobre quase tudo. Enquanto os sapatos secaram - foram uns longos 20 minutos - foram abordados os mais diversos temas: desde o não parar para almoçar (de garfo e faca, sentadinho, etc.), a bem da produtividade; os casais de hoje em dia que resolvem investir num cachorro em vez de um filho (as despesas, em alguns casos ainda são superiores); and so one, and so one.

 

Começo a achar que a profissão de sapateiro pode, perfeitamente, competir com essa profissão mundialmente conhecida pelos seus vastos conhecimentos em sociologia, filosofia e outros "ias" que dá pelo nome de taxista. Sem dúvida.

 

O que importa é que, efectivamente, não fui "palestrar" com os sapatos abertos.

publicado por K às 19:27

mais sobre mim
Gosto de...
Dias de Verão: praia, calor. Dias de Inverno: frio e neve. Família. Amizade sincera. Amor. Cantar a plenos pulmões. Dançar até cair para o lado. Boa gargalhada. Fazer tudo e coisa nenhuma. Música. Bom livro. Bom filme. Gelados. Chiquelates. Café. Chá. Dormir. Acordar com vontade de gozar o dia. Conversar horas a fio. Silêncio. Mar. Lua. Estrelas. Guiar sem destino. Viajar. Fotografia. Cheiro a "chuva molhada". Campo. Cidades. Cães. Ar livre. Futebol. Escrever. Pão quentinho com manteiga. Não dar pelo passar do dia. Férias. Trabalho... (nota: ordem aleatória)