Há dias excelentes, memoráveis. Há também os menos bons. Os marcantes. Os decisivos. Este espaço é, apenas, um conjunto de desabafos fruto dos dias que vou percorrendo e da minha (in)sanidade mental. E, tal como eu... tem dias!

Domingo, 08 de Abril, 2012

Surreal, para dizer pouco...

No passado dia 04 ficou pronta a "campa"/"sepultura" (não faço ideia qual o nome mais adequado, qualquer um deles é mesmo muito mau) da minha mãe. Simples, como ela haveria de gostar, mas de alguma forma diferenciador. Hoje levámos (o meu pai e eu) um arranjo, lindo, lindo, de rosas brancas que, sendo artificial não parece mesmo nada. Sempre é uma forma de assegurarmos que fica sempre composta, mesmo que, de vez em quando, tenha flores naturais. Tenho a certeza que esteja onde estiver, vai gostar de tudo, tudo.

O que se passou de seguida foi, absolutamente, surreal.

Uma tipa (podia chamar-lhe gaja, que não ofenderia ninguém, quanto muito as "gajas") que ia a passar, a conversar ao telemóvel - ninguém diz que no cemitério não se pode utilizar o telemóvel, certamente os mortos não se incomodarão - desliga, e pergunta-nos se podia ver. Ainda pensei que quisesse ver a campa, está ali há poucos dias, talvez quisesse ver para tirar ideias. Logo pergunta ao meu pai se era a senhora dele. Ao olhar para a fotografia afirma que era bonita. Questiona se eu sou a filha. Entretanto o meu pai, sábio, afasta-se para ir lavar as mãos. A mulher continua. De realçar que, até então, eu não lhe tinha dado qualquer troco. Começa a dar sentenças: «deviam colocar ali uma vela, porque eles precisam de luz. Qual é a vossa religião?»

 

Reparo que leva no braço duas dúzias de velas. Não me faltava mais nada, pensei! Ignorei por mais um pouco. De nada adiantou. Sempre a insistir. Que faz falta a luz e que faltava uma imagem da N. Sra. de Fátima. Que eles precisam, para descansar em paz da luz. Que há várias formas de providenciar a luz. Até que resolvi responder-lhe: «Nós fazemos à nossa maneira. Não leve a mal.». Fiz um esforço para não fazer cara feia, mas não devo ter sido muito bem sucedida. A tipa começa, meio ofendida, «Claro, não queria ofender. Não me leve a mal. Eu só queria ajudar. Eles precisam de luz. Eu levo estas para a minha avó. Há muitas formas de lhes dar a luz. Você ainda deve ser das mais afectadas». Como que a querer dizer-me se eu não fizesse o raio das velas ou o que mais seria a minha mãe iria assombrar-me.

 

Não me faltava mais nada! Isto há com cada maluco! Ainda fiquei a pensar se ela, a doida, ainda iria ali ao local da minha mãe fazer mezinhas. Espero que isso não lhe passe pela cabeça, senão temos chatice, da séria.

 

Nunca pensei que num cemitério houvesse malta com lata para em primeiro lugar chatear quem está sossegado no seu canto. E, não contente com isso, começasse a querer convencer de qual a melhor forma de "orientar" os defuntos. Está tudo louco.

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publicado por K às 19:04

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