Há dias excelentes, memoráveis. Há também os menos bons. Os marcantes. Os decisivos. Este espaço é, apenas, um conjunto de desabafos fruto dos dias que vou percorrendo e da minha (in)sanidade mental. E, tal como eu... tem dias!

Domingo, 04 de Março, 2012

As saudades (continuam) a apertar. Hoje, então, foi um dia estranho.

Faz hoje exactamente uma semana que nos vimos pela última vez. E, como tal, hoje foi um Domingo em que andei meia estranha, como facilmente se compreende.

O que me conforta? Ter a certeza que fiz sempre tudo o que estava ao meu alcance. Não ter ressentimentos. Isso conforta-me, bastante. Para além do consolo em saber que já não sofre.

 

E o que fiz eu no Domingo passado? Para além do óbvio - companhia ao almoço, ajudá-la a comer (lembro-me, claramente, de ter pensado como os papéis se tinham invertido: já não era ela a dar-me a sopa), por alguma da conversa em dia (há muito que tínhamos deixado de por a escrita em dia como antigamente, por diversas razões; há uns tempos para cá a conversa era mais circunstancial e poucos detalhes, em especial para não a preocupar) - foi continuar a sessão de beleza do Domingo anterior. Desta vez foram os pés. Já fiquei a saber que caso as coisas pelo trabalho não corram de feição, posso ter algum futuro como manicure e pedicure. Ficou com as unhas num mimo, com um encarnado bem vivo, uma das cores que ela mais gostava. E ainda houve tempo para a depilação. Agora imaginem fazer isto a alguém que está acamada e que tem imensa dificuldade em mexer-se. Mas, a coisa correu lindamente. Ela ficou feliz e eu, claro, também bastante satisfeita por ela estar bem.

Este foi um dos dias em que ela até me pareceu que estava melhor (não foi o único, mas foi um dos raros).

E quando nos despedimos, foi como outras tantas vezes.

Mal sabia eu que seria a última vez a dar-lhe, efectivamente, um beijinho.

 

No dia seguinte - como aliás sempre foi hábito - falei com eles umas duas ou três vezes (antes de ela entrar nas urgências) e de todas, a voz dela, ao telefone, era muito sumida. Quase nem se percebia o "um beijinho". Mas isso acontecia tantas e tantas vezes.

 

Imagino que este dia tenha sido complicado pelo que representa. E sim, deduzo que ainda venham alguns assim bem parecidos pela frente. Faz parte. Mas também sei que, algures, a coisa vai recompor-se.

 

Hoje foi também dia de ajudar o meu pai a arrumar as camas - tinham-se instalado, provisoriamente, numa divisão do piso inferior, desde que a minha mãe tinha deixado de andar e não conseguia subir as escadas - e tentar que algumas coisas regressem a uma outra normalidade.

Para ele estes próximos dias, creio, vão ser, também, bastante complicados. Tenho de estar atenta.

tags: ,
publicado por K às 21:46

mais sobre mim
Gosto de...
Dias de Verão: praia, calor. Dias de Inverno: frio e neve. Família. Amizade sincera. Amor. Cantar a plenos pulmões. Dançar até cair para o lado. Boa gargalhada. Fazer tudo e coisa nenhuma. Música. Bom livro. Bom filme. Gelados. Chiquelates. Café. Chá. Dormir. Acordar com vontade de gozar o dia. Conversar horas a fio. Silêncio. Mar. Lua. Estrelas. Guiar sem destino. Viajar. Fotografia. Cheiro a "chuva molhada". Campo. Cidades. Cães. Ar livre. Futebol. Escrever. Pão quentinho com manteiga. Não dar pelo passar do dia. Férias. Trabalho... (nota: ordem aleatória)