Há dias excelentes, memoráveis. Há também os menos bons. Os marcantes. Os decisivos. Este espaço é, apenas, um conjunto de desabafos fruto dos dias que vou percorrendo e da minha (in)sanidade mental. E, tal como eu... tem dias!

Domingo, 07 de Setembro, 2008

 De um momento para o outro, puxam-nos o tapete e, sem termos onde e a quem nos agarrar, caímos vertiginosamente a pique. Sentimos o ar rarefeito. Sentimos a força da gravidade a actuar. O coração na boca.

De um momento para o outro, todos os sonhos caem. Tudo o que tínhamos imaginado deixa de existir. Vazio ensurdecedor é o que fica.
O que me chateia mais, é que tudo isto tenha acontecido sem que eu pudesse ripostar. Sem que se pudessem resolver os problemas. Sem que se tentasse sanar o que não está bem. Sou informada da decisão tomada, como se se tratasse de comprar uma peça de roupa, ou melhor, deitar fora uma peça de roupa. Não é assim que se resolvem os problemas, fugindo deles.
Os problemas resolvem-se identificando-os e tentando solucioná-los. Fugir é uma hipótese - que eu nunca tinha considerado. Fazer o quê?
Quando uma das pessoas resolve unilateralmente cortar o mal pela raiz, acabando com tudo. Sem tentar resolver as questões. Isto porque já não acredita. Pouco há a fazer.
Resta-me apanhar os pedacinhos do meu coração, um a um, colá-los e esperar que o tempo cure as feridas. O tempo cura tudo, eu sei. E também sei que não é o fim do mundo.

Claro que não é a primeira vez que passo por isto...
Neste momento é o fim de uma história na qual apostei tudo. Como nunca pensei vir algum dia a apostar.
Como me dizia uma amiga no outro dia "algumas coisas têm de terminar, para que outras possam começar". Não deixa de ter razão.

Mas, neste momento, estou mais preocupada em tentar que a minha dor passe. Esta dor que me consome. Que me tira o apetite, o sono, a vontade de fazer tudo e nada.
É claro que eu sei que vou ultrapassar este momento difícil.
Sei também (e espero que o consiga) que vou crescer e tirar as lições que necessito para o futuro.
Mas dói, dói muito.
Depois de um ano muito complicado, mesmo, isto era tudo o que eu não precisava.

Desde as complicações profissionais. Á doênça da minha mãe (que doze anos depois de ter combatido o cancro, foi presenteada com esse flagelo novamente. Desde então tem tentado lutar, até com agora com sucesso, apesar dos pesares e das consequências que terá de viver para o resto da vida), o piorar da doênça do meu sogro (que terminou da pior forma em Junho passado). E agora isto...
Os meus alicerces desmoronaram-se como castelo de cartas. Passou por aqui um furacão e desfez tudo.
Eu sei que vou recuperar, mesmo que seja muito lentamente.
Eu sei que amanhã é outro dia.
Eu sei que, felizmente, tenho excelentes pais e bons amigos que, fiéis, me apoiam nesta altura. É o que me vale, aliás.
Mas não consigo deixar de pensar que não tentámos tudo por tudo.
Não tentámos resolver as questões. Isto não passa de uma "fuga para a frente". E isso deixa-me doente. Triste. Desapontada.
Sei que vou ter uns dias menos bons. Outros maus.
Sei que vai doer muito durante algum tempo. Que vai demorar a sarar.
Mas também sei que vai passar.
Neste momento, olho em volta e revejo-nos em tudo.
Se é mesmo para ser assim, desta forma, tens mesmo de vir tirar as tuas coisas de cá.
Para que eu possa, devagarinho, arrumar as minhas. Dar uma volta a tudo, para que me ajude a ultrapassar este momento difícil.

O mundo não acaba.
Mas o "meu" mundo foi brutalmente destruído. Agora terei, com todas as minhas forças, mesmo que seja aos poucos e poucos, de o reconstruir. Sozinha, claro. Mas eu sei que sou capaz de o fazer. Sei.
Vou recomeçar, vou construir a minha nova vida. E sei que, algures, quando der por mim, estou no caminho certo. O caminho que me faz feliz.

P.S.: Para ilustrar a minha vontade em "começar de novo" nada como este blog. É um recomeço. Pelo menos para já o "antigo" ficará "em banho maria", a ver vamos se volta. Por enquanto não tenho a menor vontade.
Por isso, cá estou, noutro endereço. Com outro nome. Com tudo diferente. Pelo menos, para já, "anónimo" e sem "espalhar a notícia". Mais tarde se verá se os moldes continuarão.
"Um dia atrás d'outro" inicia aqui a sua jornada. Espero que seja bem mais duradoura que o seu antecessor, muito diferente, MUUUUUITOOOOO mesmo.

publicado por K às 10:08

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