Há dias excelentes, memoráveis. Há também os menos bons. Os marcantes. Os decisivos. Este espaço é, apenas, um conjunto de desabafos fruto dos dias que vou percorrendo e da minha (in)sanidade mental. E, tal como eu... tem dias!

Segunda-feira, 01 de Agosto, 2011

É uma autêntica montanha-russa. Hoje, enquanto tentava transmitir algum ânimo à minha mãe, ao telefone, fazia um esforço enorme para não desatar, deste lado, num pranto incontrolável. Compreensivelmente, ela está numa fase de algum desânimo e falta de motivação. São muitos meses a combater esse monstro invisível que a consome e destrói. Pior, depois dos tratamentos, dos efeitos primários e secundários, ter a certeza que ainda não foi suficiente. Ainda há mais a seguir. Ainda não foi desta que conseguiu sair, definitivamente, vitoriosa como achava. Sente-se defraudada, desiludida, sem forças. É normal, todos temos dias "não" e ela - olha quem - também tem direito de os ter. Nem imagino o que está a passar, mesmo, mesmo. Sim, vou acompanhando, mesmo que "a meia-distância" por vezes, outras bem presente. Mas, ela é que tem sofrido horrores, tem passado o que muitos achariam impossível. Enfim, para além de a confortar - é preciso - e de afirmar que tem direito - oh se tem - de estar na fossa, não pode e não deve permanecer muito tempo neste estado de espírito. Ela, melhor, muito melhor do que eu ou qualquer outra pessoa neste mundo, sabe que ter atitude positiva, realmente, e não só para inglês ver, é meio caminho andando para dar a volta por cima. Do resto, o apoio familiar, dos amigos, dos tratamentos da medicina tradicional e da homeopatia, de tudo e tudo, do resto ela tem, felizmente, e tem onde se suportar. Agora, mais ninguém o pode fazer, senão ela: arranjar ânimo para enfrentar mais esta dura e dolorosa etapa. Dói tanto o coração, sentir a nossa mãe vacilar. Sentimo-nos tão impotentes. Num raro momento de fraqueza - geralmente comigo e à minha frente tenta fazer-se forte e que está tudo bem - chora e desabafa que está a ser muito difícil e bastante complicado (como se eu já não soubesse; claro que é diferente admiti-lo a mim). Tenta poupar-me e ao meu pai - que está uma barata tonta, sem saber como lidar, uma vez mais, com tudo isto.

É mais uma fase, só pode. Há momentos em que eu própria duvido de muita coisa. Mas, neste assunto em particular, não sei porquê, não me perguntem, mas sei que tudo vai acabar pelo melhor: que vamos conseguir vencer esta dura batalha e ultrapassar o cancro. Só pode. Outro desfecho não é possível.

O estalo que me bateu com toda a força é que entre os horários impossíveis de trabalho que tenho feito (com horas proibitivas de trabalho quase sem parar), os outros afazeres - e porque fico demasiado cansada - não tenho lá ido dar uma força, presencial. Falo com eles ao telefone, todos os dias, mas não é a mesma coisa. E o resultado disso é bem visível no telefonema de hoje. Não sei como, nem que pinos e rodas terei de fazer, mas antes do fim-de-semana tenho de lá ir e estar com algum tempo com eles. Merda de doença.

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publicado por K às 22:45

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