Há dias excelentes, memoráveis. Há também os menos bons. Os marcantes. Os decisivos. Este espaço é, apenas, um conjunto de desabafos fruto dos dias que vou percorrendo e da minha (in)sanidade mental. E, tal como eu... tem dias!

Sexta-feira, 11 de Fevereiro, 2011

Life's a bitch, and then you wake up.
Ainda estou meia em estado de choque. Mesmo. Soube durante a tarde - estive o dia inteiro enfiada numa reunião de departamento - e logo a seguir a saber tive de fazer a minha apresentação. Como fui capaz de o fazer, sem que ninguém se apercebesse que, por dentro, a minha angústia e revolta é (e era) mais do que muita, ainda agora estou para saber. Quem, talvez, estivesse um pouco mais atento, talvez, conseguisse entender que o meu sorriso era forçado (não se entende) e que não estava com a menor paciência para uma série de conversa fiada. Nestas alturas, geralmente, perco a paciência para o supérfluo. Não se percebe. Anyway... isto, não é sobre mim. Apesar de estar bastante revoltada. Triste. Um pouco sem ânimo. E, acima de tudo, com um bocadinho menos de esperança. Também já me conheço (e não é de hoje). Preciso deste momento. De ir lá abaixo, para depois me erguer, com a força necessária. Hoje estou no dia em que só me apetece reclamar da vida. Porquê? Porque raio mais este fardo? Ninguém merece, mas ela muito menos.

Sim, o resultado do exame que a minha mãe soube hoje não é muito animador. Podia ser pior, pode sempre. Mas, também, podia ser muito melhor. Agora para fazer face ao bicho vai fazer quimioterapia. Falei com ela há pouco, já com mais calma. Claro que lhe passei toda a força do mundo e ânimo. E pedi-lhe que ela não se vá abaixo (eu não sei se aguentava todos estes embates, uns atrás dos outros), que não baixe os braços - se o fizer, então, é que está tudo perdido. Ela não pode desistir. Pode reclamar. Pode ripostar. Pode tudo isso, mas, não pode, de maneira alguma, desistir. Que o cabelo ia cair, queixou-se (nós, mulheres, realmente, somos demais!). Sendo eu, também, muito prática (a quem será que puxei?) comecei logo a tranquilizá-la. Ainda antes dos tratamentos (vão começar no início de Março), vou com ela escolher uma peruca. E que o cabelo dela é muito forte, logo, mesmo que caia, vai voltar a crescer (disse que a médica afirmou o mesmo). E o que o importante era dar cabo do bicho. E tudo e tudo. Acredito no que lhe tentei transmitir. Mesmo que (essa parte, logicamente não lho disse), pelo menos por enquanto, a revolta é mais que muita e só me apetece praguejar. O que não lhe disse, mas não me sai da cabeça... é o medo, pavor, mesmo, que tenho de que a quimio venha (ajudar a) estragar (mais ainda) o que os medicamentos têm andando a fazer. E que, todo o organismo se comece a ressentir. E que... seja complicado aguentar. Estou em pânico. É um misto de revolta e grande temor.
Também sei que vai passar (a parte da revolta), que preciso de passar por isto para, daqui a uns dias (amanhã, quem sabe) conseguir ter todas as forças necessárias. Mas... não chegava já, não? Que merda!

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publicado por K às 20:04

Sem palavras...
Que vida de merda!
Mas força, muita força!

Sónia R a 11 de Fevereiro de 2011 às 21:00

'bigada. Um beijinho GRANDE.
Sim, nós temos força, mesmo que alguns dias não pareça.
K a 12 de Fevereiro de 2011 às 03:43

Força K. As melhoras para a tua mãe. Vai ser duro, para ambas, mas como sabes a p--- da vida não deixa de nos trazer surpresas. Bjs
jm a 11 de Fevereiro de 2011 às 22:31

Obrigada, jm.
K a 12 de Fevereiro de 2011 às 03:44

Bem, não contava com uma noticia destas :(
Minha querida tens de ter muita força, para a puderes auxiliar.
Nós estamos aqui para o que for preciso, sempre...

Um beijo enorme, com muita força, para os 3...
Lisete a 11 de Fevereiro de 2011 às 23:29

Obrigada! Eu vou ter força. E, felizmente, tenho quem me dê força também (como vocês). Todos juntos vamos conseguir. Eu sei que sim.
K a 12 de Fevereiro de 2011 às 03:46


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