Há dias excelentes, memoráveis. Há também os menos bons. Os marcantes. Os decisivos. Este espaço é, apenas, um conjunto de desabafos fruto dos dias que vou percorrendo e da minha (in)sanidade mental. E, tal como eu... tem dias!

Domingo, 24 de Outubro, 2010

Fez ontem, dia 23, trinta anos que morreu o meu avô paterno Francisco. Não me recordo dele, era mesmo muito miúda quando tudo sucedeu - apesar de ter uma memória muito longínqua dessa noite, mas por outros motivos (de estar com os meus primos a tentar dormir e de reparar que os adultos estavam todos estranhos). Dele guardo as memórias que fui ouvindo e, com isso, tento construí-lo no meu imaginário. Morreu com 96 anos (mais coisa menos coisa) e até à véspera nunca tinha dito nada demasiado grave, em termos de saúde. Deixou um legado de filhos e netos (e agora já bisnetos) bastante razoável e uma mulher bastante corajosa (hoje não vou falar da minha avó Tina).

Fez ontem dezasseis anos que morreu o meu (outro) avô, o António. Por diversos motivos que não vale a pena referir agora, foi das ausências que me custou mais aceitar. Morreu com 78, mais coisa menos coisa, e comparado com a mulher (avó Zé), é como se nunca tivesse tido qualquer problema de saúde. Lembro-me muitas vezes dele. Mesmo. E há dias em que as saudades são imensas. Claro que ao fim de todo este tempo, já dizia o Einstein que o tempo é relativo, e depois de tudo o que se tem passado na minha vida, aprendemos a aceitar as coisas da vida de outra forma. Mas as saudades, felizmente, essas ficam. Era muito ligada ao meu avô. Muito. E ainda hoje me lembro de algumas das expressões dele. Recordo as coisas boas, claro - para quê pensar nas outras? - e acabo por sentir um conforto bom.

Quis o "acaso" que os meus dois avôs morressem no mesmo dia, com alguns anos de diferença. Será uma boa altura para os recordar e mandar um grande beijinho.
Apesar de eu ser contra o "comemorar" o dia da morte de alguém - sinto sempre que estamos a enaltecer o dia em que deixou de estar connosco - prefiro sempre recordar as pessoas que me são queridas no dia em que fariam anos (de nascimento). Hoje abri uma excepção.

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publicado por K às 09:37

http://eternosaprendizes.com/wp-content/uploads/2009/02/m42_hallasnr_grande_nebulosa_orion.jpg

Talvez um dia, aqui, onde tudo novamente acontece....

Bj e tudo de bom para si neste resto de Domingo....
O a 24 de Outubro de 2010 às 18:18

No próximo dia 26 de Novembro a minha única avó, ainda viva, fará 102 anos. É mais do que uma vida...
CL a 24 de Outubro de 2010 às 23:14

Isso é realmente mais do que uma vida. Aproveite-a bem.
Um beijinho.
K a 25 de Outubro de 2010 às 09:15

São essas memórias que nos fazem as pessoas que hoje somos.
A falta que me fazem os meus avós! A avó Tina! As saudades que tenho de a ouvir... Faria 107 anos :)
Sónia R a 25 de Outubro de 2010 às 00:37

É isso mesmo. O que fica, para além das boas memórias das pessoas que nos marcaram, é o efeito que elas produziram em nós. E sim, eu sou, sem dúvida, uma pessoa diferente por ter tido (a sorte) de contactar com as pessoas (felizmente algumas ainda estão vivas) que me marcaram.
Um beijinho.
K a 25 de Outubro de 2010 às 09:23


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