Há dias excelentes, memoráveis. Há também os menos bons. Os marcantes. Os decisivos. Este espaço é, apenas, um conjunto de desabafos fruto dos dias que vou percorrendo e da minha (in)sanidade mental. E, tal como eu... tem dias!

Sábado, 23 de Outubro, 2010

Tenho um nó cego que não consigo tirar. E vai crescendo, aumentando de tamanho. Às vezes fica numa posição tal que dificulta a respiração, logo a oxigenação às minhas células e o raciocínio ainda fica mais turvo.
E já dei voltas e mais voltas e não consigo chegar a conclusão nenhuma.
Ou melhor... não é bem assim.
Será que é este mesmo o caminho? - é a dúvida que me tem preenchido os dias, as horas, os minutos, os segundos... basicamente o meu tempo dos últimos dias. E tenho estado a adiar - para ver se conseguiria ter a certeza - uma decisão que, creio, é inevitável.
Será que duvidar é normal? Duvidar, por tudo em causa é o caminho? Mesmo que a decisão seja optar por outro rumo? Ou seja, questionar é o início do fim? Ou será o continuar com o passo mais seguro?
Nó...

publicado por K às 09:42

Não querendo meter a minha foice em seara alheia, mas uma vez que aqui desabafas, arrisco-me a dizer-te aquilo que penso.
Vida sem dúvida é vida irreflectida. Irresponsável. O que não quer dizer que quem mais dúvida decida melhor. Mas pelo menos quem dúvida denota respeito por si mesmo, e também, quando existe, pelo outro.
Frequentemente o excesso de dúvida leva-nos a diletantismos, à insegurança, a não viver, ou a viver com medo de errar. A arrastar a vida em eterna indecisão. Também eu duvido sobre que caminho tomar, demasiadas vezes, diria. Talvez tenha muitos pruridos acerca de muitas coisas, e viva pouco. Invade-me por vezes a vontade de viver um pouco mais irreflectidamente, aproveitar e gozar. Sentir. Convencer-me que consigo mudar a minha natureza, educar-me de modo diverso. Roubar à irreflectude, a sonora gargalhada. Pois o tempo não escorre? E quando chegar ao meu derradeiro ocaso, e por baixo do velho Oceano fizer casa, não é certo que tenha pontuação final. Ao caldo primevo tornarei. De nada me lembrarei, e sei que por pouco tempo serei lembrado. Afinal sou como cometa sem cauda, que enquanto passou não fez mais que roubar espaço ao Espaço. Nem um ponto sobre uma linha, serei. Como invejo essa vida irreflectida. A vida bestial. Viver no voo frio da altiva águia sobre o abismo, e não ser ave de rapina de mim mesmo.
Mas sabendo tudo isto, ou julgando saber, não consigo mudar-me. Sempre em cada decisão ressurge a dúvida: Agiste de modo acertado? Fizeste sofrer alguém, inutilmente? Não serás um cobarde hipócrita, que se julga melhor, apenas por sentir a enxaqueca do remorso, mas que afinal decide como o maior dos canalhas? Bom, não sei responder. O que te posso dizer K é que quando penso ser um canalha sonso, conforto-me na certeza, de ser menos patife do que poderia ter sido. E aqueço-me na sombra desta pequena falaz certeza.
BJ e deixa o sono decidir
http://mervfrench.files.wordpress.com/2009/02/desert-sunrise-31.jpg

PS:Sabes o que o Alexandre Magno fez ao mais forte dos nós, não sabes?:)
Pedro/(O) a 23 de Outubro de 2010 às 12:05

Obrigada, O, pelas tuas palavras. Acredita que me fizeram muito bem. Agora é saber quando (e se) haverá fumo branco por parte do meu complicado neurónio.
Um óptimo fim-de-semana para ti.
K.
K a 23 de Outubro de 2010 às 20:26

Quando a dúvida se torna parte integrante de todos os nossos pensamentos é porque provavelmente chegou o momento de tomar decisões. E isso não é fácil, mas é necessário. E depois há o impossível: relativizar o que nos faz ter dúvidas. Não se permita nunca não viver. Mais vale tomar decisões erradas e seguir em frente do que esperar que o mundo mude por nós.
Um beijo.
CL a 23 de Outubro de 2010 às 22:24

http://www.youtube.com/watch?v=TUft3kjd8Fk
Se tiver pachorra ouça esta - não é MB nem U2 :)) - e atenta na letra!!
;)
CL a 23 de Outubro de 2010 às 22:31

:D
Como sou bem mandada (tem dias) estive bastante atenta na letra e... concordo absolutamente com eles, os Pólo Norte. Ainda que a minha bússola necessite de uma ligeira afinação (para voltar a indicar o norte), creio que estou no caminho certo.
E obrigadaaaaaa!
K a 24 de Outubro de 2010 às 08:27


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