Há dias excelentes, memoráveis. Há também os menos bons. Os marcantes. Os decisivos. Este espaço é, apenas, um conjunto de desabafos fruto dos dias que vou percorrendo e da minha (in)sanidade mental. E, tal como eu... tem dias!

Sábado, 03 de Julho, 2010

Paris passou a correr.
Deu para passear por alguns dos arrondissements, a pé, naturalmente, no Sábado e também de bicleta no Domingo. Esteve, durante toda a minha estadia um calor abrasador - atenção que não é um queixume - diferente do nosso. Será... mais húmido?
Consegui matar algumas saudades, mas... para ser sincera, tenho de lá voltar! Só espero é que não tenha de esperar mais não sei quantos anos. Sim, claro que comi crepes, sentei-me numa das esplanadas (em que eles gostam de ver as vistas, mais do que a companhia) e tudo e tudo e tudo.

Na ida a Montmartre esbarrei com um dos maiores pesadelos dos Portugueses. Parecia que estava a fazer uma viagem no tempo. Uma senhora, aliás extremamente simpática que ao ver-nos de volta do mapa (mesmo para um Francês, como o meu anfitrião, eles, por vezes, também se desorientam), de livre vontade, sem que nenhum de nós tivesse perguntado nada, dirige-se-nos em Francês, com um sotaque meio macarrónico, pergunta se queremos ir até ao "Sacré Coeur" e indica-nos o caminho. Mal olhei para ela, num ápice, pensei com os meus botões "é portuguesa". Basicamente, fez-nos sinal para a seguirmos. Baixinha (mais do que eu, como se fosse possível), anafadinha mas, o pesadelo dos pesadelos, a razão porque durante não sei quantos anos, todó mundo pensava que as portuguesas eram assim, tinha um "buço" maior do que o bigode de alguns homens. A sério! Durante o quase quarteirão e meio ía a pensar se metia conversa, em português, ou não. É que não tendo ela falado uma única palavra na língua de Camões, como é que eu teria percebido que tínhamos a mesma nacionalidade, só por olhar para ela? Temi que, de alguma forma, a ofendesse. E parecia ser daquelas pessoas de coração imenso. - agora olho para trás e penso que é um raciocínio algo estúpido, mas, por vezes, tenho destas coisas. - eu que tantas vezes reclamei, afinal a caricatura dos portugueses no filme "Love Actually" ainda é bem actual.
Depois do banho de turistas (eram mais do que as mães), fugimos rapidamente e regressámos ao que, supostamente, um Parisiense faz. Eles têm aquele sistema, muito bem pensado, de que por 2 euros por dia podemos utilizar bicicleta. Existem inúmeros "pontos" onde deixar e levantar. Supér! Como a grande parte da cidade é plana e existem "corredores" próprios para as bicicletas é fabuloso - pequena nota: quem tem o passe mensal do metro pode, também, utilizá-las. Já imaginaram? Domingo sempre é um dia em que há muito menos trânsito, o que me deixou, logo, muito mais à vontade - porque há locais em que temos, mesmo, de andar junto com os carros. Ah!!! as bicicletas podem andar nos corredores de "bus" quando não há os ditos só para os velocípedes. Sim, os autocarros metem respeito ao passar por nós. Mas, ao contrário de cá, pelo menos naquele Domingo, senti que os automobilistas respeitam mais os ciclistas: não lhes fazem grandes razias nem coisas que tais. Haviam de ver a minha figura! De saia (estava um calor abrasador e nem me lembrei de colocar na mala calções, quais jeans, quais quê!), sim, mas, naturalmente, com classe ;) a ginástica que, por vezes tinha de fazer para parar nos semáforos e apear-me sem perder a compostura? Sim, porque, à medida que ía pedalando, a bela da saia subia e subia. Eu puxava para baixo. Do melhor! E, naturalmente, cantarolei e assobiei a música do genérico do "Verão Azul".
Segunda, já com os pés "um tudo nada a queixarem-se" - leia-se comecei a ficar com mazelas daquelas que doem para chuchu - e desta feita sem a companhia do meu "cicerone", resolvi ir passear pelos grandes armazéns - sim, há alturas que sabe bem alguma futilidade. Ah ainda tentei ir a alguns museus. Chegada à porta de uns: era 2ª Feira, logo estavam fechados. Não se entende! Passei por um posto de turismo (Champs Elysees) e informaram-me quais os que estariam abertos. Vá de me deslocar - com os pés quase a gritar - até um deles. Ah e tal, duas horas de espera na fila. Demasiado doloroso para os meus ricos pés. Duas horas em pé! Dou meia volta e encaminho-me para o hotel. A tarde estava a chegar ao fim, ainda tinha algum trabalho para dar conta, os colegas estavam quase a chegar. O meu fim-de-semana de passeio terminou nessa altura.
A partir daí foi só trabalho, até ao final de 4ª Feira, que correu lindamente.
Paris, má chérie, à bientôt!

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publicado por K às 09:01

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