Há dias excelentes, memoráveis. Há também os menos bons. Os marcantes. Os decisivos. Este espaço é, apenas, um conjunto de desabafos fruto dos dias que vou percorrendo e da minha (in)sanidade mental. E, tal como eu... tem dias!

Terça-feira, 22 de Junho, 2010

E eu a pensar que estava a perder qualidades...
Sempre foi assim, desde que me lembre. Devo ter algo na minha "aura", ou escrito na testa, mas num tom que só algumas pessoas conseguem ver. Desde que tenho memória, há sempre alguém que mete conversa comigo nos locais mais impróprios. Naturalmente, que não sou indelicada e, na maior parte das vezes, minto, infelizmente, apenas algumas das vezes, as conversas tornam-se bastante interessantes. Só agora, enquanto estou a escrever este post, compreendi - acabou de me bater como a bola do poste na baliza da Coreia do Sul - antigamente eu andava mais na rua, de transportes públicos. Como tal, estava mais sujeita a este tipo de encontros imediatos e eventos. Pois, deve ser isso. Mas, afinal, blá, blá, blá... o que será que aconteceu? Nada de mais. Estava na fisioterapia, à espera que me chamassem, e, como não me apetecia ler o livro (óptimo, como já referi anteriormente) que tinha, resolvi dar uma vista de olhos pelas revistas. Não tenho grande paciência para as ditas cor-de-rosa (e já lhes dei uma vista de olhos na semana passada - para mim chega para os próximos meses), arregalei os olhos ao ver que havia umas ditas "para gaijos". Calma! Não estou a falar de playboy e afins. Eram daquelas de gadgets - e que, supostamente, há quem ache que os homens são o público alvo (daí as mulheres quase nuas nas capas). Se calhar são mesmo. E eu é que sou estranha porque gosto de ler e saber das novidades. Pois, devo ser... prefiro revista de notícias sobre novidades tecnológicas às de "fofocas" e diz-que-disse sobre a vida privadas das pessoas ditas "colunáveis"... devo ser muito estranha...
De qualquer forma, estava a ler a dita revista e ainda consegui aproveitar e responder um telefonema de trabalho. Como terminei uma, ía pegar na outra que estava mesmo ao lado. Pensando com os meus botões (que não tinha vestido, mas isso não interessa nada) que já tinha leitura para quando começasse, mesmo, o dito tratamento de hoje. Estava uma senhora por perto que se estava a fazer à dita revista - estrategicamente colocada na cadeira, livre, que nos separava (a mim e a ela, a senhora) - Naturalmente e tendo idade quase para ser minha avó, perguntei, por delicadeza, se estava interessada em lê-la - Apesar de, tenho de confessar o meu preconceito, ter achado que a senhora nem ía entender os títulos da capa, quanto mais os conteúdos. Nada de confusões. Esta é aquela revista de "gadgets" que não tem mulheres nuas na capa. Coitada da senhora. Estava a fazer-se de difícil:
"-Pois, sabe, eu ía agora começar a lê-la" - respondeu-me, de modo bastante sorridente.
"-Então, faça favor." - digo, prontamente, claro, de modo delicado.
Ainda fica meio na dúvida (só depois entendi... o que ela queria era conversa). Até que remata informando-me que eu podia ler a revista. Que ontem tinha visto uma muito interessante sobre hotéis de charme da visabeira e que ía ver se a encontrava. Pimba! Olha toma, K., que já levaste! Achavas que a "avózinha" - sim, muito bem vestida... e? - não entende nada de tecnologias (e provavelmente nem sabe o que é um iphone, ipad, blueray, etc.) e toma! Afinal escolhe muito bem as revistas para ler na fisioterapia: hotéis de charme para umas escapadelas! Claramente, venceu-me aos pontos. Ainda fiquei mais constrangida - sim, de forma discreta porque a senhora não deu por nada - quando depois de encontrar a dita revista, resolve "dar-ma" para eu ler. "-Vai ver que tem algumas dicas muito boas!" - recomendou-me. Claro que agradeci e passei o resto da fisio a ler as duas revistas. Afinal, sempre devia estar a merecer qualquer coisinha. Ah!!! E, no final, já à saída, voltámos a encontrar-nos e referiu, novamente, o assunto, que devem ser locais muito bonitos. Que conhecia a zona, de passeio, mas nunca tinha ficado em nenhum daqueles hotéis. Achei, claramente, que era extremamente simpática e queria meter conversa.

Ahhhh e nem é daquelas pessoas que não têm companhia e precisam, urgentemente, de falar com desconhecidos, de modo a preencherem o dia. A meio da fisioterapia, apercebi-me que recebeu a visita de duas netas e filha/nora.

Eu acho que é da tal frase mistério que tenho escrito na testa... que leva as pessoas a meterem conversa comigo. Afinal, ainda não perdi qualidades... É que estava a ficar, realmente, preocupada!!!

publicado por K às 20:31

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