Há dias excelentes, memoráveis. Há também os menos bons. Os marcantes. Os decisivos. Este espaço é, apenas, um conjunto de desabafos fruto dos dias que vou percorrendo e da minha (in)sanidade mental. E, tal como eu... tem dias!

Domingo, 06 de Junho, 2010

Não consigo encontrar explicação. E não me venham com tretas e com explicações etéreas. A minha revolta, nesta altura, é mais do que muita, excede todas as escalas nacionais e internacionais em uso. A juntar a tudo isso, a dor é assombrosa. Morreu ontem um amigo meu. Era como se fosse um primo, dos chegados. Os nossos pais conhecem-se antes de nós existirmos. Crescemos juntos. Partilhamos imenso. Na madrugada de Sábado dia 05, ontem, de forma completamente estapafúrdia (como se qualquer morte não o fosse), ataque cardíaco? congestão? (a esta altura ainda não sabemos) e enquanto tentava dormir, foi-se, de vez, alguém cheio de vida, sempre amigo do seu amigo, adorado por todos, família chegada, menos chegada. Todos. Se ao menos fosse um empecilho à sociedade, daqueles parasitas que para aí povoam este país. Nada disso. Estamos todos inconsoláveis, naturalmente uns mais do que outros. A irmã, os pais, evidentemente, estão de rastos. A poucas semanas de completar 31 anos e com uma vida imensa à frente dele, foi-nos tirado, de forma tão repentina, alguém cheio de vida. Sempre que morre alguém que nos é querido dói, muito. Mas, quando se trata de alguém tão novo, aparentemente, saudável, custa-nos muito, muito mais. Ainda não me consegui recompor. Nestas alturas relativizamos sempre tudo, no imediato, pensamos o quanto, por vezes, damos importância a coisas que não o merecem. Que nos desgastam, tiram anos de vida. Para quê? Para acabar assim, num ápice? Sem que tenhamos concretizado os nossos sonhos? Para quê? Isto são mesmo dois dias, passam a correr e, sem que possamos fazer nada, NADA, num mísero instante tudo se vai. TUDO.

Revolta e desânimo é o que me inunda o coração, nesta altura. E dor, daquelas secas, violentas, imensas.
E depois vemos o sofrimento dos pais - nenhum pai deveria assistir à morte de um filho, passar por essa dor, nenhum! - de outros pais que também sentem essa indignação. Alguns põem-se no papel deles.

Sabem o que me apetece? Partir tudo isto à minha volta. De tão irritada que estou. A questão é que, em simultâneo, faltam-me as forças.

E depois há algumas coincidências, diria que macabras... faz hoje precisamente dois anos que morreu o meu sogro. Ontem seria o dia em que a família toda estaria no Porto num casamento, se este não tivesse sido cancelado...

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publicado por K às 12:21

Beijo Grande
Shadow a 6 de Junho de 2010 às 14:34

'bigada. Beijinho GRANDE para ti também.
K a 6 de Junho de 2010 às 15:03

É nestas alturas que vemos que somos muito pequeninos perante a vida... Muita força... Beijinho
Lisete a 7 de Junho de 2010 às 12:46

'bigada. beijinhos grandes.
K a 7 de Junho de 2010 às 12:56


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